part 3: ask a gringa

A Black woman’s hand traces a glowing golden line across a terracotta-to-teal gradient background.

você leu o fogo. você viu os números. agora vem a parte que na verdade importa.

na parte 1, falei sobre fronteiras — as dos mapas e as que a gente carrega na mente. sobre reciprocidade, condicionamento, e por que eu me recuso a me desculpar por ser quem sou. na parte 2, trouxe os números. o que a classe média realmente custa na america. o que os negros americanos construíram com isso. e por que a estrutura aqui no brasil produziu um resultado diferente.

agora estamos aqui. na parte 3. e a pergunta é simples: então o que a gente faz com tudo isso?

a resposta também é simples. a gente conversa.

você não sabe o que você não sabe

existe um ditado que carrego comigo há anos: você não sabe o que você não sabe. parece óbvio. mas a maioria das pessoas vive como se soubesse.

em todo país, em toda cidade, em todo bairro — as pessoas formam opiniões sobre lugares e pessoas que nunca experimentaram de verdade. fazem isso baseadas na televisão, nas redes sociais, no que um primo contou, no que o noticiário reportou. e aí tratam essa opinião como se fosse fato.

o problema não é não saber. o problema é achar que já sabe.

sou uma das poucas americanas que realmente morou em vários estados por longos períodos. não visitei. morei. e toda vez que me mudei para um lugar novo, alguém me dizia: eu ouvi dizer que aquele lugar é assim. e toda vez, sem exceção, minha experiência foi diferente. de costa a costa. de cidade em cidade. até entre bairros dentro da mesma cidade.

o que parece perigoso para uma pessoa é tranquilo para outra. o que uma pessoa chama de caótico, outra chama de vivo. personalidade, história, medo, privilégio — tudo isso molda o que a gente chama de realidade.

o que eu encontrei quando cheguei sem expectativas

quando me mudei para o brasil, fiz uma escolha deliberada. vim sem expectativas. não pesquisei como as pessoas eram. não pedi opiniões. não me preparei para me decepcionar ou me impressionar.

simplesmente cheguei e prestei atenção.

e o que encontrei foi curiosidade. de ambos os lados. brasileiros negros e pardos curiosos sobre como é a vida na america de verdade. não a da televisão. não a dos clipes. a vida que alguém como eu realmente vive.

e eu, curiosa sobre a mesma coisa daqui.

o problema é que curiosidade muitas vezes fica parada na garganta. porque a gente não sabe se pode perguntar. porque não quer parecer ignorante. porque foi ensinada que certas perguntas são inadequadas.

então a gente supõe. e aí vira tudo que já falei nas partes 1 e 2.

as perguntas que as pessoas realmente têm

deixa eu te dar um exemplo do tipo de pergunta que eu gostaria de responder. não as complicadas. as simples. as que ficam na cabeça mas ninguém faz.

é verdade que todo americano tem cartão de crédito? todo mundo lá tem carro? a comida americana é tão diferente do que aparece na televisão? é verdade que as lojas ficam abertas 24 horas? os americanos realmente comparam tudo parcelado — até celular e sofá? os shoppings são mesmo tão gigantes quanto aparecem nos filmes? e se você trabalhar no mcdonald’s, dá mesmo pra se sustentar?

essas perguntas parecem pequenas. mas por trás delas existe uma curiosidade real sobre como a vida funciona do outro lado. e essa curiosidade merece uma resposta honesta — não uma resposta de turismo, não uma resposta de propaganda, mas a verdade de alguém que viveu lá e agora está aqui.

e do meu lado, tenho as minhas próprias perguntas sobre vocês. sobre como é crescer aqui. sobre o que a galera valoriza. sobre o que muda entre uma geração e outra. sobre o que a mídia não mostra sobre a bahia.

é pra isso que existe a ask a gringa

ask a gringa não é um canal de notícias. não é um podcast de política. não é um espaço para debater quem tem razão sobre o que.

é um espaço para conversar. brasileiros negros e pardos que têm curiosidade sobre a vida de uma americana negra na bahia. americanos que estão pensando em se mudar e querem saber como é de verdade. pessoas de qualquer lugar que estão cansadas de suposições e querem tentar o diálogo.

eu sou só uma pessoa. com uma experiência. com uma perspectiva. não represento todos os americanos. não represento todas as mulheres negras. represento a mim mesma — e ofereço isso como ponto de partida para uma conversa que deveria estar acontecendo há mais tempo.

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você leu o fogo. você viu os números. agora a parte que realmente importa: a gente conversa. é pra isso que existe a ask a gringa. clique no + acima para ler em português.

you read the fire. you saw the numbers. now comes the part that actually matters.

in part 1, i talked about borders — the ones on maps and the ones people carry in their minds. about reciprocity, conditioning, and why i refuse to apologize for being who i am. in part 2, i brought the numbers. what middle class actually costs in america. what black americans built anyway. and why the structure here in brazil produced a different outcome.

now we are here. part 3. and the question is simple: so what do we actually do with all of this?

the answer is also simple. we talk to each other.

you don’t know what you don’t know

there is a saying i have carried for years: you don’t know what you don’t know. it sounds obvious. but most people live like they already do.

in every country, every city, every neighborhood — people form opinions about places and people they have never actually experienced. they do it based on television, social media, what a cousin said, what the news reported. and then they treat that opinion as fact.

the problem is not not knowing. the problem is thinking you already do.

i am one of the few americans who actually lived in multiple states for extended periods. not visited. lived. and every single time i moved somewhere new, someone would tell me: i heard that place is like this. and every single time, without exception, my experience was different. coast to coast. city to city. even between neighborhoods inside the same city.

what feels dangerous to one person feels like a walk in the park to another. what one person calls chaotic, another calls alive. personality, history, fear, privilege — all of it shapes what we call reality.

what i found when i arrived with no expectations

when i moved to brazil, i made a deliberate choice. i came with no expectations. i did not research what people were like. i did not ask for opinions. i did not prepare myself to be disappointed or impressed.

i simply arrived and paid attention.

and what i found was curiosity. on both sides. black and pardo brazilians who are curious about what life in america is actually like. not the television version. not the music video version. the life that someone like me actually lives.

and me, curious about the same thing from here.

the problem is that curiosity often gets stuck in the throat. because people do not know if they are allowed to ask. because they do not want to seem ignorant. because they were taught that certain questions are inappropriate.

so they assume. and then it becomes everything i already talked about in parts 1 and 2.

the questions people actually have

let me give you an example of the kind of question i want to answer. not the complicated ones. the simple ones. the ones that live in people’s heads but never make it out loud.

is it true that every american has a credit card? does everyone really have a car? is american food really that different from what shows up on tv? are stores actually open 24 hours? do americans really finance everything — even furniture and phones? are malls actually as big as they look in the movies? and if you work at mcdonald’s, can you actually support yourself?

those questions sound small. but behind them is a real curiosity about how life works on the other side. and that curiosity deserves an honest answer — not a tourism answer, not a propaganda answer, but the truth from someone who lived there and is now here.

and on my side, i have my own questions about you. about what it is like to grow up here. about what people value. about what shifts between generations. about what the media does not show about bahia.

that is what ask a gringa is for

ask a gringa is not a news channel. it is not a political podcast. it is not a space to debate who is right about what.

it is a space for conversation. black and pardo brazilians who are curious about what life looks like for a black american woman in bahia. americans who are thinking about moving and want to know what it is actually like. people from anywhere who are tired of assumptions and want to try something different.

i am one person. with one experience. with one perspective. i do not represent all americans. i do not represent all black women. i represent myself — and i offer that as a starting point for a conversation that should have been happening longer.

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you read the fire. you saw the numbers. now the part that actually matters: we talk to each other. that is what ask a gringa is for. click the + above to read in english.